Por Anna Beatriz Maciel
A edição de abril do projeto Diálogos de Justiça e Paz reuniu, no dia 6, no Centro Cultural de Brasília (CCB), representantes do campo político e social para refletir sobre o tema “Aldear a Política: movimento indígena frente às eleições e o papel das pastorais sociais”.
O encontro contou com a participação da deputada federal Juliana Cardoso (PT-SP) e do secretário executivo do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), Luis Ventura Fernández, com mediação de Luiz Felipe Lacerda, do Observatório Nacional de Justiça Socioambiental (OLMA).
Ao longo do debate, foram abordados os desafios da participação indígena na política institucional, especialmente diante do atual cenário eleitoral, marcado por disputas no Congresso Nacional, tensões em torno de territórios e o avanço de discursos contrários aos direitos dos povos originários.
Juliana Cardoso destacou a importância da organização política e da ampliação da presença indígena em diferentes espaços de decisão. “Não existe paz sem território. E não existe justiça social sem o nosso povo”, afirmou. Para a deputada, a construção de uma representação efetiva passa pela ocupação de instâncias estratégicas, como o Legislativo, o Executivo e os governos locais.
A parlamentar também ressaltou o papel histórico das pastorais sociais na formação política e na articulação comunitária. Segundo ela, a vivência pessoal na igreja contribuiu para a compreensão de que fé e compromisso social caminham juntos, fortalecendo iniciativas voltadas à garantia de direitos e à construção coletiva de alternativas.
Outro ponto abordado foi o contexto das eleições, que, segundo os participantes, não se limita ao cenário nacional, mas está inserido em uma dinâmica global de disputas por poder, territórios e recursos naturais. Nesse sentido, Luis Ventura Fernández chamou atenção para o impacto geopolítico do processo eleitoral brasileiro e para o avanço de movimentos que fragilizam a democracia.
“Há uma disputa não só pelos bens naturais, mas também pelas narrativas. Quando isso acontece, a eleição deixa de ser um debate de projetos de país e passa a ser conduzida pelo medo e pela desinformação”, explicou.
Ele também ressaltou o protagonismo do movimento indígena, que, segundo ele, se mantém como um sujeito político ativo e propositivo, mesmo diante de contextos adversos. “A luta pelo território é, ao mesmo tempo, uma luta pela democracia e pela possibilidade de convivência na diferença”, afirmou.
Durante o encontro, também foram discutidos temas como a regulamentação das redes sociais, a disseminação de desinformação, os impactos da exploração de recursos naturais em terras indígenas e os desafios enfrentados no Congresso Nacional para avançar em pautas relacionadas aos direitos dos povos originários.
Os participantes reforçaram, ainda, a importância de fortalecer redes e estratégias coletivas para ampliar a incidência política e garantir a defesa de direitos, especialmente em um cenário considerado mais complexo do que os ciclos eleitorais anteriores.
Promovido pelo OLMA, em parceria com a Comissão Justiça e Paz de Brasília (CJP-DF), o Capítulo Brasileiro do Comitê Pan-Americano de Juízes e Juízas para os Direitos Sociais e a Doutrina Franciscana (COPAJU Brasil) e o Centro Cultural de Brasília (CCB), o projeto Diálogos de Justiça e Paz promove debates sobre temas relacionados à paz, justiça socioambiental, democracia e participação cidadã, a partir de perspectivas vinculadas à fé e ao cuidado com a Casa Comum.
A gravação do encontro está disponível no canal do OLMA no YouTube. O conteúdo pode ser acessado na íntegra clicando aqui.