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Diálogos de Justiça e Paz debate jornada de trabalho e escala 6x1 em Brasília
Eventos 06 de maio de 2026

Diálogos de Justiça e Paz debate jornada de trabalho e escala 6x1 em Brasília

 Encontro no Centro Cultural de Brasília discutiu redução da jornada, desigualdades e direitos trabalhistas

Em meio ao avanço do debate sobre a escala 6x1 no país, a edição de maio do projeto Diálogos de Justiça e Paz reuniu, no dia 4, no Centro Cultural de Brasília (CCB), especialistas para discutir jornada de trabalho e direitos trabalhistas.

Participaram do encontro Eduardo Brasileiro, da Secretaria-Geral da Presidência da República; Eneida Dultra, assessora técnica na Câmara dos Deputados; e Gabriela Lenz de Lacerda, juíza do trabalho.

O ponto de partida da discussão foi o tempo de trabalho como elemento central para a garantia de direitos e para a qualidade de vida. Em um cenário de aumento da produtividade e persistência de desigualdades, os participantes destacaram que a forma como o trabalho é organizado impacta diretamente o acesso a outros direitos.

Eneida Dultra afirmou que a Constituição segue como principal referência para os direitos trabalhistas, embora parte dessas garantias ainda não esteja plenamente regulamentada. Segundo ela, direitos como descanso e lazer nem sempre são assegurados na prática, o que se agrava em contextos de jornadas prolongadas.

Nesse cenário, ela destacou que mulheres enfrentam cargas de trabalho maiores devido à sobreposição entre emprego e atividades domésticas e de cuidado. A redução da jornada, afirmou, pode trazer impactos positivos tanto para a saúde quanto para a produtividade.

A discussão sobre o limite do tempo de trabalho também foi abordada por Gabriela Lenz, que situou o tema em perspectiva histórica ao lembrar que a jornada de oito horas foi consolidada há mais de um século como resposta a condições de exploração. Segundo ela, esse limite é fundamental para o exercício de outros direitos. A magistrada ressaltou que o acesso ao tempo livre segue sendo desigual, especialmente para mulheres negras.

Gabriela também chamou atenção para formas contemporâneas de precarização, como a “pejotização” (prática em que trabalhadores são contratados como pessoa jurídica, sem vínculo formal de emprego), que, segundo ela, pode mascarar relações de emprego e restringir direitos. Nesse contexto, o debate sobre jornada não se limita à escala 6x1, mas envolve a defesa de condições dignas de trabalho de forma mais ampla.

Ao abordar a realidade da classe trabalhadora, Eduardo Brasileiro destacou fatores que ampliam, na prática, a jornada de trabalho. Entre eles, o tempo de deslocamento nas grandes cidades, que se soma às horas formais e reduz o tempo disponível para descanso, lazer e convivência.

Ele ressaltou que o debate sobre a redução da jornada precisa considerar as diferentes condições de vida da população. Embora a ampliação do tempo livre seja central, muitos trabalhadores ainda enfrentam desafios relacionados à renda, o que faz com que a necessidade de trabalhar mais horas esteja diretamente ligada à sobrevivência.

Nesse contexto, destacou a importância de fortalecer iniciativas como a economia popular solidária, que pode contribuir para aproximar moradia e trabalho, além de criar novas possibilidades de geração de renda mais conectadas às realidades locais.

A gravação do encontro está disponível no canal do OLMA no YouTube. O conteúdo pode ser acessado na íntegra clicando aqui.

Promovido pelo Observatório de Justiça Socioambiental (OLMA), em parceria com a Comissão Justiça e Paz de Brasília (CJP-DF), o Capítulo Brasileiro do Comitê Pan-Americano de Juízes e Juízas para os Direitos Sociais e a Doutrina Franciscana (COPAJU Brasil) e o Centro Cultural de Brasília (CCB), o projeto Diálogos de Justiça e Paz promove debates sobre temas relacionados à paz, justiça socioambiental, democracia e participação cidadã, a partir de perspectivas vinculadas à fé e ao cuidado com a Casa Comum.

CCB promove diálogo sobre o legado do Papa Francisco um ano após sua morte
Eventos 29 de abril de 2026

CCB promove diálogo sobre o legado do Papa Francisco um ano após sua morte

O Centro Cultural de Brasília (CCB) realizou, no dia 24 de abril, uma roda de conversa em memória do Papa Francisco, reunindo especialistas para discutir a atualidade de seu pensamento e os desafios de preservar seu legado, um ano após sua morte.

O encontro teve como eixo a obra A tradição dinâmica, do escritor Gabriel Marquim, e contou com a participação do diretor do CCB, Paulo Veríssimo, SJ, do editor da Editora Carpintaria, Felipe Koller, e da Ir. Sueli Bellato.

A programação incluiu uma abertura inspirada na obra Viva a poesia, de Antonio Spadaro, além da exposição do catálogo da Editora Carpintaria.

Durante o evento, os participantes destacaram a centralidade da sensibilidade, da escuta e da criatividade no pensamento de Francisco. Segundo Paulo Veríssimo, SJ, manter viva a memória do pontífice integra a missão institucional do CCB. “Esta noite celebra a memória de Francisco, mas também aprofunda nosso compromisso com o seu legado”, afirmou.

Ao abordar a relação entre fé e cultura, ele ressaltou a forma como Francisco associava poesia e cotidiano. Para ele, o papa propunha um “existir poético”, baseado na liberdade e na capacidade de reconhecer beleza nas experiências comuns.

Felipe Koller apresentou o trabalho da Editora Carpintaria e afirmou que a proposta da instituição dialoga com a perspectiva de uma espiritualidade mais livre e madura, característica do pontificado de Francisco. Ao comentar A tradição dinâmica, explicou que a obra analisa como o papa lidava com tensões entre tradição e renovação na Igreja.

“Não se trata de escolher entre uma coisa e outra, mas de reconhecer essa tensão como elemento criativo”, disse. Segundo Koller, temas como sinodalidade e cuidado com a “casa comum” sintetizam esse legado.

A irmã Sueli Bellato destacou aspectos da trajetória pessoal de Francisco, como a origem em uma família de migrantes e a convivência com diferentes contextos sociais. Para ela, essas experiências contribuíram para a construção de uma liderança marcada pela proximidade com as pessoas. Bellato também mencionou o compromisso do pontífice com a justiça social, expresso na defesa dos “três Ts” — terra, teto e trabalho — e na atenção a populações vulneráveis. Ela ressaltou ainda iniciativas voltadas à participação das mulheres na Igreja e à promoção de uma estrutura mais sinodal.

Ao final, o diretor do CCB afirmou que o legado de Francisco se traduz na construção de uma cultura institucional mais aberta e menos rígida. “O pensamento rígido não é divino”, disse, ao destacar uma vivência da fé baseada no amor, na liberdade e na criatividade.

O evento integra as ações do CCB voltadas à preservação da memória do pontífice e à promoção de espaços de reflexão sobre espiritualidade e sociedade.

Inspirado no tema da Campanha da Fraternidade 2026, o projeto Diálogos de Justiça e Paz abre o ano com debate sobre moradia digna
Eventos 27 de fevereiro de 2025

Inspirado no tema da Campanha da Fraternidade 2026, o projeto Diálogos de Justiça e Paz abre o ano com debate sobre moradia digna

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“Teologias feministas e enfrentamento às violências contra as mulheres” foi tema do segundo Diálogos de Justiça e Paz de 2026
Eventos 27 de fevereiro de 2025

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Diálogos de Justiça e Paz debate participação indígena nas eleições e papel das pastorais sociais
Eventos 27 de fevereiro de 2025

Diálogos de Justiça e Paz debate participação indígena nas eleições e papel das pastorais sociais

Por Anna Beatriz Maciel

A edição de abril do projeto Diálogos de Justiça e Paz reuniu, no dia 6, no Centro Cultural de Brasília (CCB), representantes do campo político e social para refletir sobre o tema “Aldear a Política: movimento indígena frente às eleições e o papel das pastorais sociais”.

O encontro contou com a participação da deputada federal Juliana Cardoso (PT-SP) e do secretário executivo do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), Luis Ventura Fernández, com mediação de Luiz Felipe Lacerda, do Observatório Nacional de Justiça Socioambiental (OLMA).

Ao longo do debate, foram abordados os desafios da participação indígena na política institucional, especialmente diante do atual cenário eleitoral, marcado por disputas no Congresso Nacional, tensões em torno de territórios e o avanço de discursos contrários aos direitos dos povos originários.

Juliana Cardoso destacou a importância da organização política e da ampliação da presença indígena em diferentes espaços de decisão. “Não existe paz sem território. E não existe justiça social sem o nosso povo”, afirmou. Para a deputada, a construção de uma representação efetiva passa pela ocupação de instâncias estratégicas, como o Legislativo, o Executivo e os governos locais.

A parlamentar também ressaltou o papel histórico das pastorais sociais na formação política e na articulação comunitária. Segundo ela, a vivência pessoal na igreja contribuiu para a compreensão de que fé e compromisso social caminham juntos, fortalecendo iniciativas voltadas à garantia de direitos e à construção coletiva de alternativas.

Outro ponto abordado foi o contexto das eleições, que, segundo os participantes, não se limita ao cenário nacional, mas está inserido em uma dinâmica global de disputas por poder, territórios e recursos naturais. Nesse sentido, Luis Ventura Fernández chamou atenção para o impacto geopolítico do processo eleitoral brasileiro e para o avanço de movimentos que fragilizam a democracia.

“Há uma disputa não só pelos bens naturais, mas também pelas narrativas. Quando isso acontece, a eleição deixa de ser um debate de projetos de país e passa a ser conduzida pelo medo e pela desinformação”, explicou.

Ele também ressaltou o protagonismo do movimento indígena, que, segundo ele, se mantém como um sujeito político ativo e propositivo, mesmo diante de contextos adversos. “A luta pelo território é, ao mesmo tempo, uma luta pela democracia e pela possibilidade de convivência na diferença”, afirmou.

Durante o encontro, também foram discutidos temas como a regulamentação das redes sociais, a disseminação de desinformação, os impactos da exploração de recursos naturais em terras indígenas e os desafios enfrentados no Congresso Nacional para avançar em pautas relacionadas aos direitos dos povos originários.

Os participantes reforçaram, ainda, a importância de fortalecer redes e estratégias coletivas para ampliar a incidência política e garantir a defesa de direitos, especialmente em um cenário considerado mais complexo do que os ciclos eleitorais anteriores.

Promovido pelo OLMA, em parceria com a Comissão Justiça e Paz de Brasília (CJP-DF), o Capítulo Brasileiro do Comitê Pan-Americano de Juízes e Juízas para os Direitos Sociais e a Doutrina Franciscana (COPAJU Brasil) e o Centro Cultural de Brasília (CCB), o projeto Diálogos de Justiça e Paz promove debates sobre temas relacionados à paz, justiça socioambiental, democracia e participação cidadã, a partir de perspectivas vinculadas à fé e ao cuidado com a Casa Comum.

A gravação do encontro está disponível no canal do OLMA no YouTube. O conteúdo pode ser acessado na íntegra clicando aqui.

CCB realiza programação em parceria com Editora Carpintaria e Oficina de Nazaré
Eventos 27 de fevereiro de 2025

CCB realiza programação em parceria com Editora Carpintaria e Oficina de Nazaré

O Centro Cultural de Brasília (CCB) promoveu, entre 24 e 26 de abril, uma programação em parceria com a Editora Carpintaria e a Oficina de Nazaré, reunindo atividades que articularam espiritualidade, arte e reflexão.

Na sexta-feira (24), uma roda de conversa sobre o legado do Papa Francisco contou com a participação do diretor do CCB, Paulo Veríssimo, SJ, do editor da Editora Carpintaria, Felipe Koller, e da Ir. Sueli Bellato. No encontro, os participantes destacaram a atualidade do pensamento do pontífice, com ênfase na relação entre fé e cultura, na valorização de uma espiritualidade sensível e criativa e em temas como justiça social e diálogo com o mundo contemporâneo. No sábado (25), houve missa em memória de Francisco.

Ao longo de sábado e domingo, o CCB recebeu a Oficina de Nazaré, projeto vinculado a Felipe Koller que integra espiritualidade e arte por meio do fazer manual.

A vivência incluiu momentos de oração, partilha e oficinas artesanais, convidando à experiência da fé por meio do sentir e do fazer com as mãos, em um processo de criação e escuta da própria interioridade. 

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Um espaço de fé e ação.

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