Núcleo de Ecologia Integral apresenta carta a candidatos e candidatas às eleições de 2026

Participantes do curso Fundamentos da Ecologia Integral, promovido pelo Núcleo de Ecologia Integral (NEI) do Centro Cultural de Brasília (CCB) entre março e julho de 2026, elaboraram uma carta dirigida a candidatos, candidatas e partidos políticos que participarão das eleições deste ano.

A iniciativa é uma das ações concretas desenvolvidas pelo grupo a partir das reflexões realizadas ao longo do curso, que abordou temas como os fundamentos filosóficos e teológicos da ecologia integral, os saberes indígenas e afro-brasileiros, as mudanças climáticas, as políticas de transição ecológica, a gestão de resíduos, as energias renováveis e o papel de diferentes atores sociais na construção de respostas à crise ecológica.

Intitulada “Compromisso com a Ecologia Integral: Uma Pauta para o Presente e Futuro do Distrito Federal e do Brasil”, a carta apresenta propostas organizadas em quatro eixos: políticas agrícola e fundiária; política urbana e resíduos no Distrito Federal e Entorno; justiça climática e proteção às vítimas; e proteção da Estação Ecológica de Águas Emendadas.

O documento convida candidatos, candidatas e partidos a apresentarem posicionamentos públicos sobre os temas, compromissos escritos com metas e prazos definidos e a indicação de como a ecologia integral está incorporada às suas propostas de governo ou de campanha.

Os posicionamentos recebidos serão divulgados pelos integrantes do NEI, permitindo que a população conheça e acompanhe os compromissos assumidos. Leia a carta completa a seguir:

 

CARTA AOS CANDIDATOS E CANDIDATAS 2026

Compromisso com a Ecologia Integral: Uma Pauta para o Presente e Futuro do Distrito Federal e do Brasil.

Brasília, agosto de 2026.


Aos Partidos Políticos e Coligações,


Nós, participantes do Núcleo de Ecologia Integral (Centro Cultural de Brasília, 2026), vimos a público manifestar nossa defesa à vida. Nesse sentido, expressamos nossa profunda preocupação com a crise ecológica e suas dimensões políticas. Entendemos que a questão ecológica é, antes de tudo, uma questão de justiça social, responsabilidade política e compromisso com a vida.

Por isso, apresentamos quatro eixos temáticos que exigem posicionamento claro e compromissos concretos:

 

1. POLÍTICAS AGRÍCOLA E FUNDIÁRIA

O Brasil não pode mais sustentar um modelo agrícola que:

  • É responsável por 75% das emissões nacionais de gases de efeito estufa.
  • Destina bilhões em subsídios públicos sem condicionalidades ecológicas.
  • Estimula a grilagem de terras públicas e o desmatamento.
  • Ignora o zoneamento agro-hidro-ecológico necessário à proteção de nascentes e biomas.

Compromisso exigido: Instituir o Projeto de Lei PL 6670/2016 que cria o PNARA (Política Nacional de Redução do Uso de Agrotóxicos); Criar subsídios condicionados à preservação ambiental; combate efetivo à grilagem; implementação do zoneamento ecológico; metas de redução de emissões.

 

2. POLÍTICA URBANA E RESÍDUOS NO DF E ENTORNO
Brasília, capital da República, precisa dar o exemplo em gestão de resíduos.
Atualmente:

  • Apenas 4% do lixo do DF é efetivamente reciclado pelas cooperativas.
  • As cooperativas de catadores não recebem apoio suficiente.
  • A coleta seletiva é ineficiente, com mistura de materiais desde a origem.
  • Descumprimento da legislação vigente (LEI Nº 3.890, DE 07 DE JULHO DE 2006).
  • Compromisso exigido: Coleta seletiva eficiente; fomento às cooperativas de catadores; campanhas de educação ambiental; políticas de economia circular.


3. JUSTIÇA CLIMÁTICA E PROTEÇÃO ÀS VÍTIMAS

As mudanças climáticas já produzem vítimas concretas, e as populações mais vulneráveis são as mais atingidas. Enchentes, secas, incêndios florestais e deslizamentos exigem ações preventivas e estruturantes.

Compromisso exigido:

  • Mapeamento e realocação de populações em áreas de risco;
  • Planos de prevenção a incêndios;
  • Políticas de adaptação e mitigação climática;
  • Fundos permanentes para socorro às vítimas;
  • Implementação e integração da Política Nacional de Mudanças Climáticas, em busca de um federalismo climático.


4. PROPOSTA SOBRE A ESTAÇÃO ECOLÓGICA DE ÁGUAS EMENDADAS

O Distrito Federal, que ocupa apenas 0,28% da área do Cerrado brasileiro, abriga a Estação Ecológica de Águas Emendadas, um fenômeno hidrológico ímpar: uma
única nascente alimenta simultaneamente as bacias do Tocantins-Araguaia (norte do DF) e do Paraná (centro-sul e oeste do DF).

Proposta estratégica: Integração da Política Nacional de Recursos Hídricos com a Política Nacional do Meio Ambiente, visto que os recursos hídricos são um elemento fundamental da qualidade ambiental. Esse "Coração Hídrico" é vital para a segurança hídrica de cerca de 80 milhões de brasileiros.

Proposta simbólica: Elevar a Estação a Patrimônio Mundial Natural e Reservas da Biosfera no Brasil da UNESCO – um passo fundamental para proteger esse tesouro natural e garantir a resiliência hídrica do país, da América do Sul e para as gerações futuras.


NOSSO CHAMADO
Exigimos posicionamento público e compromissos escritos com metas claras e prazos definidos. Omissões, banalizações ou negacionismo desqualificam candidatos(as) e partidos neste tempo de emergência climática.
Os compromissos assumidos devem ser divulgados à população, que estará vigilante quanto ao seu cumprimento.